Demência Canina: Entenda a Síndrome da Disfunção Cognitiva em Cães Idosos

Os pets estão vivendo cada vez mais  e isso é uma excelente notícia. No entanto, com a longevidade surgem também novos desafios para a saúde. Assim como acontece com os humanos, os cães idosos podem desenvolver um declínio cognitivo semelhante à demência.

Essa condição é conhecida como Síndrome da Disfunção Cognitiva (SDC) ou Disfunção Cognitiva Canina (DCC). Trata-se de uma doença progressiva, sutil e, muitas vezes, difícil de perceber nos estágios iniciais. Por isso, reconhecer os sinais precocemente é essencial para garantir qualidade de vida ao animal.


O que é a Síndrome da Disfunção Cognitiva?

De forma semelhante ao Alzheimer — o tipo mais comum de demência em humanos  a SDC provoca prejuízos na memória, na aprendizagem e nas funções executivas dos cães. Com o passar do tempo, essas alterações podem comprometer o comportamento, a rotina e até mesmo a relação entre o tutor e o pet.

Além disso, o avanço da doença costuma ser lento e progressivo, o que faz com que muitos tutores confundam os sintomas com “coisas da idade”.


Sinais da Demência Canina: Fique Atento

Os sinais neurológicos da demência canina são considerados pouco específicos. Ainda assim, existem mudanças de comportamento que merecem atenção:

Por exemplo, o cão pode esquecer onde fica o pote de água, se perder em ambientes conhecidos ou dormir menos durante a noite. Quanto mais cedo essas mudanças forem percebidas, melhor, já que o declínio pode se agravar em poucos meses.


Existe Cura para a Demência Canina?

Infelizmente, não há cura para a SDC. Contudo, isso não significa que nada possa ser feito. Ao contrário, estudos mostram que intervenções adequadas podem melhorar a qualidade de vida e, em alguns casos, retardar a progressão da doença.

Quando os sinais se tornam muito severos, a neurodegeneração já está em estágio avançado e irreversível. Por esse motivo, o diagnóstico precoce é tão importante — não apenas para o bem-estar do cão, mas também para preservar o vínculo com o tutor.


Manejo e Medidas Práticas

Embora não exista um tratamento curativo, diversas estratégias ajudam no dia a dia do cão com SDC:

Portanto, o manejo é sempre individualizado e deve ser acompanhado por um profissional.


Medicamentos e Novas Abordagens

Nos Estados Unidos, a selegilina é o único medicamento aprovado pela FDA para o tratamento da SDC em cães. Entretanto, sua eficácia ainda é considerada limitada, e em humanos o fármaco não demonstrou bons resultados contra a demência.

Diante disso, pesquisadores buscam alternativas. Na Universidade de Adelaide, na Austrália, por exemplo, estudos investigam se exercícios de treinamento cognitivo podem melhorar a função cerebral de cães idosos.

Segundo a veterinária Tracey Taylor (2024), até 60% dos cães seniores, especialmente acima dos 11 anos, podem apresentar algum grau de demência. Muitas vezes, os tutores acreditam que o pet está apenas mais lento, quando na verdade já existem sinais de disfunção cognitiva.


Como é Feito o Diagnóstico?

Atualmente, não existe um teste definitivo ou biomarcador confiável para diagnosticar a SDC em cães vivos. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos sinais e na exclusão de outras doenças.

Em um estudo com 70 cães acima de sete anos, cerca de 66% apresentaram algum grau de disfunção cognitiva, enquanto 11% tinham quadros graves. No entanto, a confirmação absoluta da doença só é possível por meio da análise do cérebro após a morte.

Curiosamente, cérebros de cães com SDC exibem alterações semelhantes às encontradas em humanos com Alzheimer, como o acúmulo de placas amiloides. Por isso, os cães têm sido considerados modelos importantes para o estudo da demência.

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